E estou falando da questão de passar uma cultura. Não vou entrar nos méritos de que a tevê deturpa e mostra o que quer. Cá entre nós, deturpar é uma palavra muito forte. Eu fiz Comunicação e acredito que essa palavra em sentido pleno não existe. Pode existir em parte, mas não totalmente.
Então, uma cena na tevê me fez pensar sobre esse nada que é a mostra das culturas pelas novelas. A cena era um casamento judeu. Judeus de cabelo encaracolado - o chamado payot, típicos de judeus ortodoxos - levantando um judeu numa cadeira em um ambiente separado das judias, que levantavam a noiva judia. Se isso é passado para o público, o que pode ser interpretado? Que os judeus são assim e que as festividades também. Bom, não é bem assim. Os ortodoxos fazem isso. Em outros ambientes que seguem outra linha, o que é até mais comum, os ambientes feminino e masculino são um só. Mas, novamente, afirmo aqui que são linhas diferentes, com suas próprias características, não há uma verdade única. Esta que parece existir na novela ou, pelo menos, na cabeça do telespectador (não na de todos, mas do que é leigo no assunto, é provável).
Isso me lembrou outra situação, outra novela. Você anda por um país africano ou asiático e, incrivelmente, todos falam português e querem vir para o Brasil! Ok, ok, imaginemos que eles estejam falando o idioma deles. Como, então, surge um brasileiro que consegue entender tudo que eles falam? Afinal, qual é o idioma universal? O brasileiro é um poliglota?
Além disso, os povos são mostrados com características um pouco exageradas. Dançar o tempo inteiro é uma delas. Não é à toa que programas humorísticos pegam essas características e as enaltecem nas paródias.
Bom, a crítica aqui não é uma crítica. A questão é que o nada aqui em questão é um nada que pode influenciar pessoas. Mostrar a realidade de uma cultura com todas as suas facetas é um pouco complicado. A novela teria que ter um núcleo muito grande e, para contar a história de todos, ser um Senhor dos Anéis versão novela.
Então, não seria interessante, a cada começo de "novela cultural", a emissora televisionar um documentário ou um programa de tal caráter que mostre a cultura como um todo?
Porque, na boa, ligar a tevê e ver um "inshalá" exagerado a cada 2 segundos, como já se viu, não dá.
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