6 de jan. de 2010

Orientador: faça o teste!

Eu lembro que tive esse pensamento um dia antes de apresentar a monografia. Estava na barca, com os sentimentos pesados e intensos. Preocupações demais me levaram a pensar em um nada para me distrair.
No último mês da monografia, o que você mais vê é como todos os orientandos ficam desesperados para entregar a bendita (ou maldita) tese. O tempo se esgota e, cada vez mais, você percebe que o tempo avança num sentido inversamente proporcional à quantidade de páginas (ou até linhas) escritas por você. Aí, quando você termina de escrever aquelas 5 páginas que saíram com tanto sacríficio como o segundo gol do Flamengo no jogo contra o Grêmio na final do Brasileirão, você recebe um email do orientador: "caro orientando, não entendi nada ou nada faz sentido. Por favor, refaça."
O fim do mundo? Não, amigo. Essa é a raiva de todo orientando pelo seu orientador. O cara pode nem ter culpa, mas o orientando passou dias em que poderia estar namorando, bebendo ou assistindo à maratona Friends na tv, escrevendo aquela budega daquelas 5 páginas.
A quantidade de pessoas contando histórias de orientadores me fez pensar que esses podem ser diferenciados em alguns tipos:
  • Mestre dos Magos - é aquele orientador que te diz que o tema é ótimo, que as suas idéias estão caminhando bem, mas que, lá mais pro final, chegando perto da hora de entregar, parece ter um pacto com o Vingador, porque as portas de volta para a Terra - leia-se, no caso do orientando, o bar, o cinema, a tv com o Friends - misteriosamente se fecham, e as suas idéias não eram tão boas assim ( "reescreve que não ficou muito claro");
  • Cinderela - é aquele que te faz acreditar que você vai sair dessa lama das poucas idéias e escrever um texto fabuloso, aí bate a sua meia-noite - leia-se, para o orientando, a semana final de entrega ou, porque não, dias finais - e você descobre é que suas idéias continuam precisando de um bom esfregão. Aí, você tem que acreditar, mudar tudo e esperar o sapatinho chegar - ou uma luz mesmo;
  • Bela Adormecida - "ah, está tudo bem", "ah, está tudo ótimo". Se ouviu ou leu isso do orientador, danger, my fellow. Esse aí vai acordar na hora da entrega e ficar desesperado com você para consertar tudo a tempo;
  • Laranja Mecânica - é o que te faz ler tudo relacionado ao seu tema. Você fica totalmente hipnotizado e só consegue ver o filme passar sobre os seus olhos o tempo inteiro. Aí, vira um verdadeiro psicótico e maníaco pela tese. Isso pode ser bom, mas, se começar a cantar "singin' in the rain" ou músicas de axé, é melhor os amigos ou os avessos ao tema manterem distância até a entrega da tese;
  • Balão Mágico - você e o seu orientador são amigos, amigos do peito, amigos de uma vez. Pode dar tudo certo, se não viajarem muito nas canções e continuarem cantando por aí... O tempo corre e a entrega chega, sem que a música tenha acabado. O balão pode perder a hora de voar. Ou de descer.;
  • Malu Magalhães - é aquele para quem você envia uma série de perguntas e dúvidas e ele responde um "ok". Mesmo que esse "ok" seja profundo, o orientando adooora e se sente com uma capacidade intelectual meio baixa por não ter entendido.
Isso é uma brincadeira. O orientador sempre ajuda, mesmo que de alguma forma.
Mas a brincadeira tem uma certa verdade.
Para você ver que o seu tema não é a única coisa que você vai aprender com a monografia.
Não é à toa que essa é a prova final do curso. Não seria uma prova qualquer.

Qual é o problema do Jerry Maguire?

Você vê o que é a coincidência. Primeiro, não acredito muito em coincidências. Não me ache cética nem nada, mas as coisas acontecem porque você quer. Se foi negativo, atraiu coisas negativas. Se foi positivo, coisas positivas. Se não acredita em nada, vai atrair p nenhuma.
Mas, voltando do devaneio, o fim de semana foi engraçado. Assisti a dois filmes que apresentaram uma mesma situação: mulheres, em seu momento de depressão, assistindo ao filme Jerry Maguire.
Aí, o nada surgiu em minha mente, ao ver o segundo filme: qual é o problema do Jerry, coitado?
Tentei me lembrar do filme, o que também foi engraçado, já que as associações que tive foram: Renée Zellweger chorando pelo Tom Cruise, Tom Cruise se ferrando na carreira (tava se achando, é o resultado), Tom Cruise bêbado, Tom Cruise pedindo para voltar para a Renée, e a frase "Show me the money!". (por favor, leia Tom Cruise como Jerry e ela como a personagem dela. Ele e a Renée não estiveram juntos, ok.)
A questão é que a questão continuou. Por que diabos o Jerry faz as mulheres deprimidas se confortarem? Ou faz elas se sentirem pior, induzindo-as a assistir a esse filme?
Ninguém me disse para assistir ao Jerry agora e, depois desses filmes mostrando isso, sinceramente, fiquei com medo e não fui à locadora pegar para descobrir.
Uma das cenas do filme das deprimidas (só para esclarecer, o filme é uma comédia, e inteligente) é uma amiga ligando para a outra falando que está mal, porque o cara não tinha dado valor a ela e tal, aí a amiga grita no telefone "você está vendo Jerry Maguire de novo? Desliga agora a tv!". Eu ri e não pensei nada na hora. Quando vi uma cena parecida no outro filme, pensei "nossa, que filmes deprês ou românticos, que nada. O Jerry é o novo corta pulsos".
Um dia, quando eu voltar a ser uma pessoa feliz, vou ver Jerry Maguire e venho aqui contar a verdade do filme a vocês.
Mas, se alguém lembrar de algum motivo depressivo no mesmo, sou uma pessoa curiosa, pode falar. =)

5 de jan. de 2010

Inshalá

Não vejo novela, mas, cara, é incrível a realidade mostrada por novela.
E estou falando da questão de passar uma cultura. Não vou entrar nos méritos de que a tevê deturpa e mostra o que quer. Cá entre nós, deturpar é uma palavra muito forte. Eu fiz Comunicação e acredito que essa palavra em sentido pleno não existe. Pode existir em parte, mas não totalmente.
Então, uma cena na tevê me fez pensar sobre esse nada que é a mostra das culturas pelas novelas. A cena era um casamento judeu. Judeus de cabelo encaracolado - o chamado payot, típicos de judeus ortodoxos - levantando um judeu numa cadeira em um ambiente separado das judias, que levantavam a noiva judia. Se isso é passado para o público, o que pode ser interpretado? Que os judeus são assim e que as festividades também. Bom, não é bem assim. Os ortodoxos fazem isso. Em outros ambientes que seguem outra linha, o que é até mais comum, os ambientes feminino e masculino são um só. Mas, novamente, afirmo aqui que são linhas diferentes, com suas próprias características, não há uma verdade única. Esta que parece existir na novela ou, pelo menos, na cabeça do telespectador (não na de todos, mas do que é leigo no assunto, é provável).
Isso me lembrou outra situação, outra novela. Você anda por um país africano ou asiático e, incrivelmente, todos falam português e querem vir para o Brasil! Ok, ok, imaginemos que eles estejam falando o idioma deles. Como, então, surge um brasileiro que consegue entender tudo que eles falam? Afinal, qual é o idioma universal? O brasileiro é um poliglota?
Além disso, os povos são mostrados com características um pouco exageradas. Dançar o tempo inteiro é uma delas. Não é à toa que programas humorísticos pegam essas características e as enaltecem nas paródias.
Bom, a crítica aqui não é uma crítica. A questão é que o nada aqui em questão é um nada que pode influenciar pessoas. Mostrar a realidade de uma cultura com todas as suas facetas é um pouco complicado. A novela teria que ter um núcleo muito grande e, para contar a história de todos, ser um Senhor dos Anéis versão novela.
Então, não seria interessante, a cada começo de "novela cultural", a emissora televisionar um documentário ou um programa de tal caráter que mostre a cultura como um todo?
Porque, na boa, ligar a tevê e ver um "inshalá" exagerado a cada 2 segundos, como já se viu, não dá.

Nada da semana 03/01 a 09/01



"Mesmo com toda a maionese do mundo, não se pode fazer salada de frango com titica."
avó de Amiira Ruotola-Behrendt


The nada

Leitor, o nada consiste em falar sobre coisas que nos vêm (não sigo a nova ordem da língua portuguesa, ok? sou rebelde!) à mente e que nos fazem pensar.
Coisas pouco significantes, mas que colocam a nossa maquinaria mental para funcionar. Podem ser coisas idiotas ou que simplesmente ninguém parou para pensar. Mas que essa mente estranha, dentro deste corpo movido por um coração sincero e acelerado (what means = eu), parou.
Parou e pensou mais uma coisa idiota: por que não partilhar isso?
Os posts serão semanais, vai depender dos meus singelos pensamentos, e haverá sempre uma frase-nada da semana. Se você tiver uma sugestão, mande no contato ali em cima.
E, assim, deixo claro: não lerás coisas "uau, que profundo" ou realmente inteligentes. Lerás o que simplesmente pensamos e devemos pensar: o nada.
Afinal, como disse ali ao lado, as coisas realmente importantes devemos sentir, não pensar.