No último mês da monografia, o que você mais vê é como todos os orientandos ficam desesperados para entregar a bendita (ou maldita) tese. O tempo se esgota e, cada vez mais, você percebe que o tempo avança num sentido inversamente proporcional à quantidade de páginas (ou até linhas) escritas por você. Aí, quando você termina de escrever aquelas 5 páginas que saíram com tanto sacríficio como o segundo gol do Flamengo no jogo contra o Grêmio na final do Brasileirão, você recebe um email do orientador: "caro orientando, não entendi nada ou nada faz sentido. Por favor, refaça."
O fim do mundo? Não, amigo. Essa é a raiva de todo orientando pelo seu orientador. O cara pode nem ter culpa, mas o orientando passou dias em que poderia estar namorando, bebendo ou assistindo à maratona Friends na tv, escrevendo aquela budega daquelas 5 páginas.
A quantidade de pessoas contando histórias de orientadores me fez pensar que esses podem ser diferenciados em alguns tipos:
- Mestre dos Magos - é aquele orientador que te diz que o tema é ótimo, que as suas idéias estão caminhando bem, mas que, lá mais pro final, chegando perto da hora de entregar, parece ter um pacto com o Vingador, porque as portas de volta para a Terra - leia-se, no caso do orientando, o bar, o cinema, a tv com o Friends - misteriosamente se fecham, e as suas idéias não eram tão boas assim ( "reescreve que não ficou muito claro");
- Cinderela - é aquele que te faz acreditar que você vai sair dessa lama das poucas idéias e escrever um texto fabuloso, aí bate a sua meia-noite - leia-se, para o orientando, a semana final de entrega ou, porque não, dias finais - e você descobre é que suas idéias continuam precisando de um bom esfregão. Aí, você tem que acreditar, mudar tudo e esperar o sapatinho chegar - ou uma luz mesmo;
- Bela Adormecida - "ah, está tudo bem", "ah, está tudo ótimo". Se ouviu ou leu isso do orientador, danger, my fellow. Esse aí vai acordar na hora da entrega e ficar desesperado com você para consertar tudo a tempo;
- Laranja Mecânica - é o que te faz ler tudo relacionado ao seu tema. Você fica totalmente hipnotizado e só consegue ver o filme passar sobre os seus olhos o tempo inteiro. Aí, vira um verdadeiro psicótico e maníaco pela tese. Isso pode ser bom, mas, se começar a cantar "singin' in the rain" ou músicas de axé, é melhor os amigos ou os avessos ao tema manterem distância até a entrega da tese;
- Balão Mágico - você e o seu orientador são amigos, amigos do peito, amigos de uma vez. Pode dar tudo certo, se não viajarem muito nas canções e continuarem cantando por aí... O tempo corre e a entrega chega, sem que a música tenha acabado. O balão pode perder a hora de voar. Ou de descer.;
- Malu Magalhães - é aquele para quem você envia uma série de perguntas e dúvidas e ele responde um "ok". Mesmo que esse "ok" seja profundo, o orientando adooora e se sente com uma capacidade intelectual meio baixa por não ter entendido.
Mas a brincadeira tem uma certa verdade.
Para você ver que o seu tema não é a única coisa que você vai aprender com a monografia.
Não é à toa que essa é a prova final do curso. Não seria uma prova qualquer.